Ao invés de gritos, sussurros…

PJ Harvey tem atitude. Basta passear por sua discografia para perceber que ela usa toda a sua capacidade a serviço do mal. O que é um tremendo elogio! Em seu novo álbum, “White Chalk”, a cantora desacelera e cria uma obra mais intimista, limpa e sombria – mas ainda assim, cheia de atitude.
Ao contrário de “Uh Huh Her”, disco anterior cuja turnê passou pelos palcos do Tim Festival em São Paulo, as guitarras distorcidas e os vocais vigorosos dão lugar a arranjos melancólicos e sussurros, muitos sussurros. Além da presença marcante do piano, PJ utiliza instrumentos pouco comuns, como ocarina, mellotron e até taças de vinho.
Eric Drew Feldman, o cara que inseriu teclados futuristas em “Trompe le monde”, dos Pixies, participa de algumas músicas. O grande destaque fica por conta da terceira faixa, “Grow grow grow”, na qual a cantora demonstra todo o seu poderio vocálico.
O resultado é um disco preciso, soturno, sombrio, cheio de harmonias sutis e sem nenhum excesso. São 12 belíssimas faixas que podem ser escutadas de cabo-a-rabo.




